segunda-feira, outubro 30, 2006

Akli D.

Inicio hoje uma série de posts sobre “Musica do Mundo”.
Na verdade toda a música é música do mundo, mas aquela que vos mostro pertence ao outro mundo, esquecido, fora dos circuitos comerciais, das grandes produtoras, da música feita e embalada segundo os padrões dos consumidores que papam tudo. A “Musica do Mundo” não é conceito novo, sempre existiu, é genuína… é musica.

Akli D. nasceu numa pequena vila de Kabylie na Argélia. Escutou os grandes da canção kabyle como Idir, Cheikh El Hasnaoui e Slimane Azem, mas estava atento à música de protesto de Bob Dylan ou Neil Young, ao movimento rasta, aos blues do Mississipi.

Chegou a Paris nos primeiros anos da década de 80, fugindo de uma Argélia marcada pela repressão armada, a “Primavera Berbere”. Seguiu o caminho de muitos músicos em Paris, o metro. As suas letras falam de racismo, de xenofobia mas também de esperança. Recentemente trabalhou com Manu Chau.


Akli D - 'C.Facile'

segunda-feira, outubro 16, 2006

Trilhos de pó..



Rasgava os trilhos de pó, na ânsia de chegar sabe-se lá onde? mais do que trilhos, de pedras, de curvas e contracurvas, desbravava o caminho da vida, nos encontros, nos olhares, nos sorrisos... É esta a pressa de chegar, conhecer-se a si mesmo ao conhecer os outros, moldar-se nesta humanidade, desafiar-se e transcender-se...
Estou à espera de quê?

sexta-feira, outubro 13, 2006

Trovante

Assim, sem saber bem como nem porquê, dou por mim num concerto dos Trovante no Campo Pequeno. As portas fecharam à uns anos atrás mas deixaram as janelas da saudade abertas. Hoje espreitei um bocadinho lá para dentro do baú das recordações.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Diário de bordo



Era este o parapeito que me separava do resto do mundo… era também aqui que entrelaçava os pensamentos que me afastavam para longe... Agrupei-os e fiz deles uma bola, parecida com a Terra… Girei-a na mão e percebi que era pequena… toquei com os olhos no infinito e deixei uma marca na água… a mesma que chega a todos os cantos…

quinta-feira, setembro 28, 2006

Cuadro amedia luz...



Em ruelas desenhadas a fino traço de carvão marcava os passos… leves de emoção. Rasgava a calçada numa pincelada sofrida quase tanto como pintava a sua vida…

segunda-feira, maio 08, 2006

Regresso ao mar..

Sacudo os ombros, o corpo todo. Rasgo a pele de sal e mergulho na imensidão da manhã.. de pé de peito aberto recebendo o nevoeiro que me oculta a visão... adivinho as margens, as ondas, o ponto exacto onde nasce o sol...
Trago comigo o mar, trago comigo o mundo gasto e batido, as horas árduas e sofridas... mas também a paz.
A maresia desenhou-me as feições, o rosto marcado, os olhos vazios, os dentes cerrados.
Recebo pois a manhã intacta, alva, imaculada... de pé sobre o convés como uma estátua guerreira...
Volto sempre ao mar, regresso à minha casa que não tem fundações, que me levanta e sacode. Os meus pés não têm terra, não têm areia, os meus ouvidos não ouvem carros...
Se o meu meu corpo explodir por dentro rebenta em ondas salgadas...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Dead parrot - monty python



C: 'Ello, Miss?
Owner: What do you mean "miss"?
C: I'm sorry, I have a cold. I wish to make a complaint!
O: We're closin' for lunch.
C: Never mind that, my lad. I wish to complain about this parrot what I
purchased not half an hour ago from this very boutique.
O: Oh yes, the, uh, the Norwegian Blue...What's,uh...What's wrong with it?
C: I'll tell you what's wrong with it, my lad. 'E's dead, that's what's
wrong with it!
O: No, no, 'e's uh,...he's resting.
C: Look, matey, I know a dead parrot when I see one, and I'm looking
at one right now.
O: No no he's not dead, he's, he's restin'! Remarkable bird, the Norwegian
Blue, idn'it, ay? Beautiful plumage!

este sketch estava muito à frente do seu tempo...

sábado, fevereiro 18, 2006

Manias...

Respondendo ao desafio...

Não sei sequer se são manias ou se talvez alegrias de uma vida que transvasa, só sei que as trago comigo e olhando para o umbigo do trabalho até à casa..

1) gosto de ler.. talvez por isso leio sempre, e ao mesmo tempo varios livros de uma vez...a meio de um vou lendo outro.. por vezes confundo-os.

2) A mania das viagens... de conhecer, de experimentar, de viver... de evitar os percursos turisticos, de me meter por ruelas e nas festas à socapa.eheh

3) as vezes fecho os olhos, como se de um obturador se tratasse e fixo fotografias que guardo no album da memória.

4) de me levantar cedo e ir para o mar... e entrar sozinho nas ondas, eu e a prancha... lava-me os olhos e a alma

5) de escrever.. de dizer o que vai cá dentro, em cadernos e em folhas soltas.. e sobretudo de recordar, de guardar papeis que não servem para nada...

Não sei sequer se são manias ou se talvez alegrias de uma vida que transvasa, só sei que as trago comigo e olhando para o umbigo do trabalho até à casa..

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Where is your mind?...



Menina bonita, menina frágil que corres com pressa, que voas ágil, de que corres tu? De que medos te escondes, em que aldeias em que montes? Em que pensas tu de rosto carregado, de olhos penetrantes, de corpo cansado. Vagueias sem destino, vais para todo o lado, procuras na vida o teu triste fado… e eu? Cansado.
Devolve-me os passos, o som da calçada, a alegria do riso… sim a gargalhada. O fundo de mim anseia por ti, entendes? Como posso viver e queixar-me entredentes.

Estamos os dois sentados à anos, nas mesmas cadeiras com os mesmos planos. Eu sentado a olhar e tu… sentada a viajar.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Cantares

Fechou a porta devagar, deixou atrás de si um dia de números, de prazos… de preocupações. Enquanto descia as escadas folgou a gravata e sorriu ao segurança de serviço. Respirou fundo dentro do carro avançou decidido a fazer-se ao alcatrão. Ia experimentando ao longo do caminho uma calma e a descompressão do dia…

Por debaixo de uma árvore estacionou, saiu e cumprimentou os velhotes que o saudaram. Da bagageira retirou uma pequena mala, que levou consigo enquanto percorria a calçada gasta pelo tempo. Perto da igreja, encontrou uma pequena multidão, acenou e entrou numa velha adega. Retirou da mala uma muda de roupa…

Na penumbra da casa diluiu-se no meio dos outros e cantou…



quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Bailarico



O verdadeiro sentido da democracia está no bailarico, na festarola, no pézinho a arrastar para a dança. Ninguem é excluido... todos dançam com todos, as velhas dançam umas com as outras, os putos cantam e a malta bate palmas e os cães correm como loucos.

O sentimento português conhece no arraial popular a expressão mais genuína: Amanhã logo se vê, pá!! enquanto se assam as febras e se bebe um copo de tinto não há défices, nem dívidas, nem nada... há festa!!

... é por isto que eu gosto de ser português.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Baaba Maal



Nasceu no Senegal, junto do rio com o mesmo nome. A religião muçulmana é predominante nesta região de Africa. É um país em vias de desenvolvimento…

Na música, ao contrário da política procura-se criar laços, raízes comuns… união.

Quem ultrapassa a barreira da mesquinhes, do egoísmo, quem não se fecha em fundamentalismos e radicalismos consegue perceber o conceito de humanidade e de palavras tão banais como fraternidade…

Escritas, cantadas… vividas

domingo, fevereiro 05, 2006

Entre a fama e a Glória..



Heitor Parafuso morreu a meio caminho entre a fama e a Glória. Eu passo a explicar. Heitor parafuso era trapezista, antes tinha trabalhado como bate-chapas nos arredores de Camarate. Heitor sonhava com o trapézio, aliás foi por isso que nunca saiu do 8º Ano, altura em que deu de caras com a geometria, foi amor à 1º vista. Depois de muitas voltas à vida acabou no circo... saltava do trapézio com 3 mortais encarpados e agarrava com os dentes o outro trapézio que voava à sua frente. O publico brindava-o com aplausos.
Heitor tinha um sonho. Saltar num trapézio no meio de Lisboa. Trapézio montado e o povo a ver... Heitor sobe à plataforma, aplausos, agradece. Salta destemido em Parafuso, 3 piruetas no ar. O publico eufórico. Rufos de tambor... prepara-se para o triplo salto mortal encarpado e aterrar com os dentes no trapézio que voava à sua frente.
Toma balanço... aí vai. Heitor a rodopiar no ar. Vê o trapézio a aproximar-se. Ouve-se um grito do publico... Heitor em queda livre. Heitor traz um pombo morto que abocanhou com toda a força no momento exacto em que este passava junto ao trapézio. Heitor morreu junto ao elevador da Glória...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

"Cartas de Guerra"



"Nova evacuação ontem. Um soldado virou a bola no Mussuma queria pegar fogo a tudo. Um Eróstrato."

"A nova moda dos oficiais daqui é a bebida. A tensão é tão grande que se tem de libertar por qualquer lado. De modo que se bebe tudo quanto há em quantidades industriais."

" Lembras-te de te ter falado num cabo que dizia, a propósito de tudo, francatoriamente? Já não diz nada: pôs o pé numa mina anti-pessoal e deve ser amputado acima do joelho."

" O rapaz que fui socorrer à picada, morreu. A notícia chegou hoje laconicamente pelo rádio."

"...ontem sentado a esta mesma mesa, chorei um bocadinho...Sei lá porquê! Por tudo - acho."


...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Segundo plano



No plano em que se sentava, deixou por momentos as coisas do mundo e desenhou no ar uma estrada para o futuro. Planeava sair, correr, viajar por recantos da Terra...encontar gentes e lugares. No fundo queria sair do plano em que está e passar para outro... outro plano.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Severa



Voltando ao fado...

No balcão rasca do Sólidó, entre um copo de três servido pela trisavó do triste fadista a que faltavam sete dentes a começar pelos da frente, soltaste a raiva presente numa nota só...

Se te alcunhavam Severa, de entre todas a mais fera, não seria por acaso. O desgraçado de mão em riste pecou por atraso. Afagava demorado uma nalga saliente outrora firme hoje pendente...

E a Severa de pé e o povo à escuta, solta-se um grito filho da p*ta e puxa a navalha presa na liga e contam as velhas da Lisboa antiga que do desgraçado ficou uma orelha e o resto do corpo morreu na ribeira e no fim da noite uma alcoviteira ainda viu a Severa no tasco acabado cantando alegre... tudo isto é fado.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Intimidades



As conversas são feitas de silêncio. Não apenas… mas acima de tudo. De momentos em que os corpos estão presentes… e o pensamento acabou de embarcar em viagens mirabolantes. Sem constrangimento, o silêncio pode ser a partilha mais importante que temos para dar. As conversas são feitas de silêncio… mas também de regressos.

sábado, novembro 05, 2005

... onde vais?




Deu por si perdido em becos e ruelas de ilusão… deixou que os seus passos seguissem sem destino o caminho traçado pelo tempo. Seguia livre em busca do tudo e do nada…
Ancorado em lembranças o seu espírito voava agora para longe… para um lugar sem medos, onde não mora a tristeza…
Deixou escapar um sorriso enquanto te olhava nos olhos… perdia-se nesse mar de mistério…nos trilhos de uma vida que se entrega sem amarras…
Desbravava os recantos da alma em cada gesto… em cada sorriso…

Encontrou-se a si mesmo numa praça vazia… em silêncio diante do eco das suas palavras… ressoavam continuamente até alguém se esquecer delas…

A noite caiu e partilhou segredos com a lua que lhe clareava o caminho… partiu. Onde vais?... Desviou o olhar… não saberia responder…

quarta-feira, outubro 26, 2005

... Viagem de Bicicleta em sonhos matinais...




Acordava estremunhada… brincava com a luz que lhe entrava pela janela. Afastava os raios de sol com as mãos e depois rodava na cama em jeito de bailarina…
Na janela, por entre os reflexos, uma borboleta chamou-lhe a atenção… dançava por entre os traços de luz e depois voou…
Desceu as escadas quatro a quatro na pressa de a encontrar… avistou-a descendo a rua bailando. Seguiu atrás dela sorrindo, deslizando por entre os madrugadores que passeavam na cidade. Sentia o vento da manhã a sussurrar… seguiu-a como quem segue o seu sonho…num gesto alcançou-a.
Parou, e abriu a mão em concha…

segunda-feira, outubro 17, 2005

21 Grams




Quantos sonhos levamos connosco… quantas palavras?...

Rodopiam as imagens dentro do meu pensamento… encontros, acasos e incertezas…momentos que marcam ou que nos passam ao lado…
Perco-me na noite dos sentidos e refugio-me na inércia das acções…espíritos inquietos que vagueiam agitados… quantos sonhos ficaram por sonhar, quantas palavras ficaram por dizer?... e a Terra gira impassível…

“ A Terra girou para nos aproximar, girou à sua volta e em nós, até finalmente nos juntar neste sonho.”
 

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